terça-feira, 25 de abril de 2017

QUESTÕES IMPORTANTES SOBRE A QUEDA


Questões Importantes Sobre a Queda
O registro das Escrituras sobre a queda fornece a única explicação adequada para o presente estado decaído do homem e o mal que nos cerca. É também mediante este plano de fundo tenebroso que as resplandecentes glórias da misericórdia e da graça de Deus surgem. Nossa compreensão mínima das glórias de Cristo e Seu Evangelho é diretamente proporcional ao nosso entendimento da tragédia de Adão e sua condenação.
Em nosso estudo da queda, nos deparamos com algumas das questões mais importantes e complexas de todas as Escrituras: a origem do mal, a natureza da liberdade humana, a soberania de Deus, e Seu eterno propósito. Ainda que o que conhecemos a respeito de tais questões será sempre envolto em um determinado grau de mistério, é necessário que nos esforcemos por conhecer o que pudermos. Façamos as seguintes questões:
Como Adão pôde cair?
Deus ordenou a queda?
Qual o propósito eterno de Deus na queda?
COMO ADÃO PÔDE CAIR?
As Escrituras afirmam que a queda não ocorreu devido a nenhuma falha no Criador. Todas as obras de Deus são perfeitas (Deuteronômio 32:4), Ele não pode ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13), nem pode Ele tentar outros com o pecado (Tiago 1:13). A culpa pela queda repousa perfeitamente sobre os ombros de Adão. Como Eclesiastes 7:29 declara: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.”
Esta verdade apresenta um dos maiores problemas teológicos em todas as Escrituras: como é possível que uma criatura criada à imagem de Deus veio a escolher o mal e o pecado? Adão e Eva tinham uma verdadeira inclinação para o bem, e não havia nenhuma corrupção ou mal neles para qual a tentação pudesse apelas. Como tais justos seres puderam escolher o mal ao invés do bem, e escolher as palavras de uma serpente ao invés das ordens de seu Criador, está além da compreensão humana.
Houve numerosas tentativas ao longo da história de explicar a queda de Adão, mas nenhuma delas deixa de ter suas limitações. Devemos, portanto, nos contentarmos com a simples verdade da Escritura que, embora tenha Deus feito o homem justo e santo, ele era finito e mutável (isto é, sujeito a mudança) e capaz de fazer uma escolha contrária à vontade de Deus.
DEUS ORDENOU A QUEDA?
A palavra ordenar significa colocar em ordemdispor, ou designar. Perguntar se Deus ordenou a queda é perguntar se ele a colocou em ordem, a dispôs, designou que ela ocorresse. Outras palavras que carregam significado similar são: “decretar”, “predeterminar”, e “predestinar”. Deus determinou de antemão ou decretou que a queda deveria ocorrer? A resposta para esta pergunta é “sim”, mas nós devemos ter muito cuidado com o que isto significa e o que isto não significa.
A ordenança de Deus da queda não significa que Ele forçou Satanás a tentar nossos primeiros pais, ou que Ele os coagiu a desprezar Sua ordem. O que as criaturas de Deus fizeram, elas fizeram por sua própria vontade. Deus é santo, justo, e bom. Ele não peca, não pode ser tentado pelo pecado, Ele não tenta ninguém ao pecado.
A ordenança de Deus da queda significa que isto era certo de acontecer. Foi da vontade de Deus que Adão fosse testado, e foi da vontade de Deus deixar que Adão tanto se mantivesse de pé quanto caísse sozinho sem o auxílio divino que poderia tê-lo impedido de cair. Deus poderia ter impedido que Satanás dispusesse a tentação diante de Eva, ou à face de tal tentação, Ele poderia ter dado a Adão uma graça sustentadora especial para capacitá-lo a triunfar sobre ela. A partir do testemunho das Escrituras, entendemos que Ele não fez isso.
A ordenança de Deus da queda também significa que ela foi parte de Seu plano eterno. Antes da fundação do mundo, antes da criação de Adão e Eva e a serpente que os tentou, antes da existência de qualquer jardim ou árvore, Deus ordenou a queda para Sua glória e o bem maior de Sua criação. Ele não meramente permitiu que nossos primeiros pais fossem tentados e então esperou para reagir a qualquer escolha que eles viessem a fazer. Ele não meramente olhou através dos corredores do tempo e viu a queda. Mas a queda era uma parte do plano eterno de Deus, e Ele predeterminou ou predestinou que ela deveria e iria acontecer.
Neste ponto, uma questão muito importante surge:
“Deus é o autor do pecado?”
Esta questão pode e deve ser respondida com uma forte negativa. Deus não é o autor do pecado, nem coage o homem a pecar contra Ele. Embora Ele tenha predeterminado que a queda deveria e iria acontecer, Ele também predeterminou que ela deveria acontecer através das ações voluntárias de Satanás, Adão e Eva. Ainda que nossas mentes finitas não possam compreender plenamente como Deus pode ser absolutamente soberano sobre todo evento da história e sobre cada ato individual sem destruir a liberdade individual, as Escrituras abundam em exemplos que demonstram que isto é verdade. José foi vendido à escravidão através do pecado deliberado de seus irmãos, e ainda assim, quando a história final foi contada, José declarou: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida” (Gênesis 50:20 AA). O Filho de Deus foi crucificado como o resultado do pecado deliberado do homem e a hostilidade para com Deus, e ainda assim Deus ordenou ou predeterminou a morte de Cristo antes da fundação do mundo. Nas Escrituras nós lemos:
“… sendo este [Jesus] entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mão de iníquos.” -Atos 2:23
“Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.” -Atos 4:27-28
A partir das Escrituras, nós vemos que Deus ordena ou predetermina um evento para que ele ocorra e ainda assim faz com que ele aconteça através do pecado deliberado do homem. Ele faz isso sem que seja o autor dos pecados dos homens ou coagindo-os para que o façam sem que seja da vontade deles. Homens ímpios deliberadamente pregaram Jesus Cristo à cruz e foram responsáveis por suas ações, mas o evento inteiro estava de acordo com o plano predeterminado de Deus. A queda de Satanás, e a queda da raça humana mais tarde através de Adão e Eva, foram resultados de seus próprios pecados pelos quais apenas eles são responsáveis, e ainda assim os eventos aconteceram de acordo com o ordenado, predeterminado, predestinado plano de Deus. Deus decretou um grande propósito eterno para Sua criação, e ordenou cada evento da história pelos quais tal propósito está sendo cumprido. Nada, nem mesmo a queda do homem ou a morte do Filho de Deus, ocorre à parte do decreto soberano de Deus.
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” -Romanos 11:33-36
“…nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade…” -Efésios 1:11
QUAL O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS NA QUEDA?
Tendo demonstrado que a queda foi resultado da desobediência deliberada da criatura e ainda assim de acordo com o eterno propósito de Deus, agora é necessário que nos esforcemos por conhecer tal propósito eterno. À luz do mal e do sofrimento que resultaram da queda, pode parecer difícil aceitar que possa ter havido qualquer bom propósito nela. Todavia, a Palavra de Deus nos assegura que existe tal propósito.
Sabemos a partir das Escrituras que a criação do universo, a queda do homem, a nação de Israel, a cruz de Cristo, a Igreja, e o julgamento das nações têm um grande e derradeiro propósito: Que a plenitude dos atributos de Deus seja revelada a Sua criação e que toda a criação O conheça, O glorifique, e deleite-se plenamente n’Ele como Deus.
A Plena Revelação dos Atributos de Deus
Deus criou o universo para ser um teatro sobre o qual Ele possa exibir a infinita glória e valor de Seu ser e seus atributos, para que Ele seja plenamente conhecido, adorado, e apreciado por Sua criação. Foi dito por muitos que a queda do homem é o céu negro sobre o qual as estrelas dos atributos de Deus brilham com a maior intensidade de glória. É apenas através da queda e o advento do mal que a plenitude do caráter de Deus pode ser verdadeiramente conhecida.
Quando um Cristão adora a Deus, quais são os atributos que lhe parecem mais queridos? Não são a misericórdia, a graça e o amor incondicional de Deus? Não são estes atributos divinos mais exaltados em todos os grandes hinos da Igreja? Mas como estes atributos poderiam ser conhecidos senão através da queda do homem? O amor incondicional somente pode ser manifesto sobre homens que não correspondem às condições. A misericórdia somente pode ser derramada do trono de Deus sobre homens que merecem a condenação. A graça somente pode ser concedida a homens que não fizeram nada para merecê-la. Nossa decadência é nosso feito, pelo qual somos obrigados a assumir plena responsabilidade. Ainda assim é através do teatro negro de nossa decadência que a graça e a misericórdia de Deus são postas no centro do palco e brilham sobre um público tanto de homens quanto de anjos. É na salvação dos homens caídos que a sabedoria, a graça e a misericórdia de Deus são reveladas, não apenas ao homem, mas também a todo ser criado nos céus, na terra e no inferno.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. -Efésios 2:4-7
A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais. -Efésios 3:8-10
A Plena Revelação das Glórias de Cristo
A maior obra de Deus é a morte e a ressurreição do Filho de Deus para a salvação do povo de Deus. Contudo, se o homem não tivesse caído, não haveria Calvário e nem Salvador. A própria coisa que mais elucida a Deus (João 1:18), nos atrai para Ele (João 12:32), e faz com que O amemos (1 João 4:10, 19) desapareceria. O que tomaria seu lugar? Que outros meios poderiam ter sido usados para demonstrar as imensuráveis misericórdias de Deus? Cristo crucificado é o grande tema de todo digno hino, sermão, conversação, e pensamento cristãos. Sem a queda, a redenção seria desconhecida a nós. Nós seríamos como os anjos, anelando perscrutar algo que nós nunca poderíamos experimentar (1 Pedro 1:12).
É errado, e beira a blasfêmia, até mesmo insinuar que a cruz de Cristo foi um mero Plano “B” que foi posto em prática somente por causa da escolha errada de Adão no jardim. A cruz é o evento principal para o qual qualquer outra obra da providência de Deus aponta. Todas as coisas permanecem em sua sombra. De uma forma, a cruz foi necessária por causa da queda, mas por outro lado, a queda foi necessária para que as glórias de Deus na cruz de Cristo pudessem se dar a conhecer plenamente.
A Plena Revelação da Dependência da Criatura
Uma das verdades mais impressionantes sobre Deus é que Ele é absolutamente livre de qualquer necessidade ou dependência (Atos 17:24-25). Sua existência, o cumprimento de Sua vontade, e Sua alegria ou beneplácito não dependem de nada nem ninguém fora de Si mesmo. Ele é o único ser que é de fato coexistente, autossustentado, autossuficiente, independente e livre. Todos os outros seres derivam suas vidas e felicidades de Deus, mas Deus encontra tudo o que é necessário para Sua própria existência e perfeita alegria em Si mesmo (Salmo 16:11; Salmo 36:9).
A existência do universo requer não apenas o ato inicial da criação, mas também o contínuo poder de Deus para sustentá-lo (Hebreus 1:3). Se Ele retirasse Seu poder mesmo por um momento, tudo se tornaria caos e destruição. Esta mesma verdade pode ser aplicada ao caráter dos seres morais, quer sejam anjos ou homens. Adão no paraíso e Satanás no céu, ainda que tenham sido criados justos e santos, não poderiam permanecer em pé à parte da graça sustentadora de um Deus Todo-Poderoso. Quão menos somos nós capazes de permanecer em pé e quão mais rapidamente cairíamos à parte da mesma graça sustentadora? A queda, portanto, fornece o maior exemplo de nossa constante carência de Deus. Se não podemos continuar nossa existência além de nosso próximo fôlego exceto pela preservação de Deus, quão menos somos capazes de manter qualquer aparência de justiça diante d’Ele à parte de Sua graça? (João 15:4-5; Filipenses 2:12-13)
OBS: ESTE TEXTO FAZ PARTE DO LIVRO:
 A Queda de Adão [A Verdade sobre o Homem – 2/13] por Paul Washer 
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/07/paul-washer-a-queda-de-adao-a-verdade-sobre-o-homem-210/

Copyright © por Paul David Washer, Sociedade Missionária HeartCry. 
Publicado por Granted Ministries Press, uma divisão de Granted Ministries. 
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.




Continue Lendo...

segunda-feira, 13 de março de 2017

OS GRUPOS JUDAICOS NA ÉPOCA DE CRISTO.



Por Robson T. Fernandes

Resumo
O presente artigo versa sobre a origem e características dos grupos judaicos do 1º século, e suas influências na sociedade da época. O autor demonstra que a origem de tais grupos se dá em um contexto de reação contra o misticismo e ameaça da existência do judaísmo e que ora tem motivações políticas, ora religiosas, ora filosóficas. Ainda, se por um lado a sinagoga é criada como instrumento de preservação do judaísmo, por outro é uma das responsáveis pela facilitação do surgimento dos diversos grupos judaicos. Dessa forma, as sinagogas eram utilizadas como plataforma nas quais os grupos propagavam suas opiniões ao discordarem dos dirigentes do Templo. Por último, o autor demonstra que os grupos judaicos do 1º século mudaram a essência da fé judaica, e por isso, se por um lado surgiram com o intuito de preservar a fé judaica, por outro lado foram exatamente os responsáveis por fazer com que a fé judaica original se tornasse diferente desse judaísmo. Por isso, modificaram aquilo que tanto desejavam preservar.
Introdução
As hostilidades contra o cristianismo primitivo eram comuns, especialmente por parte da comunidade judaica do primeiro século. Inicialmente por parte dos fariseus, que eram um partido religioso, e dos saduceus, que eram um partido político-religioso. Dessa forma, fica claro a existência de grupos judaicos distintos, entre os quais se vê a representação tanto da opinião e posicionamento escriturístico de seus integrantes bem como de suas ideologias filosófico-políticas.
Todavia, para prosseguirmos é necessário fazermos uso de algumas fontes primárias, a exemplo de Flávio Josefo [1]. A importância deste historiador é de tal importância que o Dr. Augustus Nicodemus declara que “como historiador judeu, as obras de Josefo são inestimáveis para o nosso conhecimento da história dos judeus debaixo do domínio romano” [2].
Dessa forma, são três os grupos judaicos citados por Flávio Josefo, no aspecto filosófico: Existem, com efeito, entre os judeus, três escolas filosóficas: os adeptos da primeira são os fariseus; os da segunda, os saduceus; os da terceira, que apreciam justamente praticar uma vida venerável, são denominados essênios: são judeus pela raça, mas, além disso, estão unidos entre si por uma afeição mútua maior que a dos outros. [3] Quando observamos o aspecto filosófico do judaísmo, encontramos três grupos, como fez Josefo – Fariseus, Saduceus e Essênios. Porém, quando observamos o aspecto étnico encontramos os samaritanos que são uma miscigenação de judeus e gentios, e os herodianos que possuíam um laço consanguíneo com Herodes, o Grande. Ainda, haviam os zelotes que eram um grupo político do século I que buscava promover uma rebelião contra o Império Romano, com o intuito de libertar Israel pela força e que termina por promover a Primeira Guerra Judaico-Romana (66-70).
Ainda, outros grupos são encontrados entre os judeus, a exemplo dos sicários e dos publicanos.
Os Sicários eram um subgrupo oriundo dos zelotes, porém, mais radicais. O termo é originário do latim ‘sicarius’ e significa ‘homem da adaga’. Essa expressão só surge algumas décadas após a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., de acordo com Kippenberg, que afirma, ainda, que o termo “foi a denominação dada ao movimento revolucionário rural da Judéia” [4] e já o termo zelotes se referia a “um movimento sacerdotal” [5], isto é, de cunho mais religioso. Por essa razão, o grupo dos Sicários não será tratado em particular neste artigo, pois são uma subdivisão dos zelotes.
Os Publicanos eram os coletores de impostos nas províncias do Império Romano. De acordo com Buckland [6], haviam dois tipos de Publicanos: os Publicanos Gerais e os Publicanos Delegados. Os Publicanos Gerais respondiam ao imperador romano e eram responsáveis pelos impostos. Os Publicanos Delegados eram aqueles que eram comissionados pelos Gerais para coletar os impostos nas províncias. Estes eram considerados como “ladrões e gatunos”. Muito embora fossem odiados pelos seus compatriotas, os judeus, Buckland afirma que diferentemente dos fariseus, os Publicanos não eram hipócritas.
Como os Publicanos são mais uma “profissão” do que um grupo filosófico-político-religioso ele não será tratado em particular neste artigo.
Diante do quadro apresentado é importante se estudar cada um desses grupos de forma separada, para depois se montar o quadro político-religioso geral da nação. Por último, buscar aprender com a história para que não se cometam os mesmos erros outra vez.
1. Os Fariseus
Em geral, atribui-se o surgimento do farisaísmo ao período correspondente ao cativeiro babilônico (587-536 a.C.). E, basicamente, toda a informação acerca desse grupo é oriunda das obras do historiador Flávio Josefo [7], dos diversos escritos dos rabinos, por volta do séc. II, e das informações contidas no Novo Testamento.
Muito embora se atribua ao termo ‘fariseu’ o sentido de ‘separado’ este significado não é uma certeza. Porém, sabe-se que era o grupo mais seguro da religião judaica (At 26:5), e que surgiu por volta da guerra dos macabeus, com a finalidade de oferecer resistência ao espírito helênico trazido por Roma e que possuía, em seu interior, a intenção de preservar o judaísmo e suas crenças ortodoxas. Muito embora, Enéas Tognini declare que “há dois grupos terrivelmente antagônicos desses “fariseus”: separatistas e liberais. O primeiro se opunha terminantemente às influências helenísticas na Palestina [8], enquanto o segundo era favorável” [9].
Um dos fatores que mais colaborou para a organização deste partido foi a perseguição promovida por Antíoco Epifânio. Porém, Flávio Josefo declara que foi sob a influência de João Hircano [10] que os fariseus passaram a desfrutar do apoio do povo em geral [11].
Ainda, segundo citação de Tognini [12] sobre Josefo, os fariseus criam no livre-arbítrio do homem, na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência de anjos, na direção divina de todas as coisas, nas recompensas e castigos na vida futura, na preservação da alma humana após a morte e na existência de espíritos bons e maus. Contudo, Jesus denunciou severamente este grupo por causa de sua hipocrisia e orgulho. Em linhas gerais, podemos afirmar que este grupo surgiu por uma boa razão, mas seus objetivos foram desvirtuados no decorrer do tempo, especialmente porque não se deve apenas adquirir o conhecimento ou defendê-lo, mas colocá-lo em prática.
Por essa razão, o termo fariseu tornou-se sinônimo de hipócrita. Tanto que o próprio Jesus afirma: “… tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam” (Mt 23:3). Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos iniciar uma maratona de cautela e vigilância, porque a defesa da fé deve ser feita alicerçada no amor bíblico e não em bases religiosas fanáticas e desprovidas do biblicismo necessário. Por outro lado, a prática da Lectio Divina [13] precisa ser reensinada na Igreja, para que assim o sistema educacional eclesiástico na hipermodernidade [14] volte a ensinar para o povo a Teologia Bíblica aliada à vida devocional, o que nos auxiliará a não cair em um neo-farisaísmo.
2. Os Saduceus
Era o grupo que fazia oposição aos fariseus.
O surgimento desse grupo traz alguma controvérsia, pois as suas origens são desconhecidas. Alguns acreditam que deve ter surgido com Zadoque, um sacerdote do período do rei Davi. Este grupo era mais sacerdotal e aristocrático e, sendo mais fechado, não fazia questão de popularização. Ainda, Schubert [15] afirma que de 539 a.C. (período do domínio persa), até o período de Alexandre, o Grande, as famílias dos sumo sacerdotes se mostravam complacentes com os vizinhos pagãos, vivendo em harmonia com os povos helênicos. Era um grupo composto por homens educados, ricos e de boa posição social. Em geral, tinham crenças opostas a dos fariseus. De acordo com Schubert, ao citar Josefo, os saduceus negavam a ressurreição e juízo futuro, criam que a alma morria com o corpo, negavam a imortalidade, negavam a existência dos anjos e dos espíritos, criam que Deus não intervinha nas vidas dos homens, não tinham as mesmas crenças que os patriarcas, negavam a existência do Sheol (inferno) e só depositavam a crença naquilo que a razão pura pudesse provar. De forma geral, o Novo Testamento apresenta de forma negativa um resumo da crença dos saduceus: “os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo nem espírito” (At 23:8).
Com isso, percebemos que este era um grupo que interpretava as Escrituras utilizando como base os mesmos pressupostos que futuramente passaram e ser denominados de ‘humanistas’ [16], desconsiderando o caráter divino, espiritual e sobrenatural.
Franklin Ferreira faz a seguinte declaração acerca da crença dos saduceus: Os saduceus, com o seu repúdio à doutrina da ressurreição e descrença na existência de seres angelicais, podem ser considerados como precursores dessa corrente de interpretação das Escrituras. Pouco se sabe sobre a origem desse partido judaico, mas parece haver adotado uma posição secular-pragmática de interpretação das Escrituras. Ao negarem verdades básicas das Escrituras, os saduceus podem ser considerados, guardadas as devidas proporções, como os modernistas ou liberais da época. [17]
Por isso, conclui-se que enquanto os fariseus eram os conhecedores da Escritura, mas hipócritas, os saduceus eram os líderes, mas mercenários e humanistas, no uso geral do termo. Por causa de suas atitudes venais e suas más práticas começaram a se tornar impopulares. A influência dos saduceus era grande, mas sua fidelidade a Deus mínima. A riqueza dos saduceus era grande, mas sua integridade mínima. A influência política e religiosa dos saduceus era grande, mas seu caráter era mínimo. Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos concluir que há uma profunda semelhança na sociedade hipermoderna com os saduceus, já que presenciamos uma diversidade de líderes religiosos que têm se prostituído por causa de benefícios financeiros, status e vantagens pessoais.
3. Os Samaritanos
Atribui-se a origem dos samaritanos a ocasião quando Sargom tomou Samaria para o cativeiro e tentou desnacionalizá-los misturando-os com os babilônios (IIRs 17:24). Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus abominavam os samaritanos, considerando-os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem oportunistas, procurando ficar do lado dos judeus apenas quando estes estavam em ascensão. Este grupo era frequentemente ridicularizado e desprezado pelo restante dos judeus. Joachim Jeremias [18], ao citar a obra de Levi VII 2, afirma que “a partir de hoje Siquém será chamada a cidade dos idiotas, porque nós zombamos deles como se zomba de um louco”. Costumeiramente, os samaritanos adoravam no templo, porém, ao voltar do cativeiro os judeus os proibiram de participar da reconstrução de Jerusalém, e o genro de Sambalate, que era sacerdote, foi expulso dali por Neemias. Por não terem ‘sangue puro’, não possuir religião judaica, por serem acusados de oportunismo, porque o sacerdote (genro de Sambalate) foi expulso do convívio social e por serem proibidos de participar da reconstrução, começaram a se empenhar contra a obra que Neemias estava fazendo.  Então, Sambalate construiu um templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim.
Ainda, para piorar a situação, desde a construção deste segundo templo, a situação entre judeus e samaritanos se agravou, e o clima de ódio e desprezo se torna cada vez maior, como nos apresenta o livro apócrifo de Eclesiástico ao afirmar que “há dois povos que minha alma abomina, e o terceiro, que aborreço, nem sequer é um povo: aqueles que vivem no monte Seir, os filisteus, e o povo insensato que habita em Siquém” [19]. Sabendo que este denominado “povo insensato que habita em Siquém” são os samaritanos. Ainda, os samaritanos mantinham crenças semelhantes à dos saduceus. Apesar de todas as acusações do judaísmo contra os samaritanos, encontramos diversas passagens bíblicas, neotestamentárias, nos mostrando a pregação do Evangelho para os samaritanos (Lc 17:16; Jo 4; At 1:8; At 8:5,14; At 9:31) e até uma conduta destes que é contraposta à conduta do farisaísmo (Lc 10:25-37). Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos concluir que o verdadeiro evangelho não faz acepção de pessoas, e trata a todos de igual para igual, independente dos erros passados.
4. Os Essênios
Enquanto os fariseus se tornaram sinônimos de hipócritas e os saduceus de mundanismo, o essênismo se torna sinônimo de isolacionismo, isto é, vida separada e afastada de todos. Os essênios surgiram na tentativa de manter a instrução Escriturística viva, assim como os fariseus, mas sem a hipocrisia característica desse grupo, e a busca por uma vida de fidelidade e compromisso, diferentemente dos saduceus. Por isso, Charles C. Ryrie afirma que o “essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus” [20]. O problema é que eles pensavam que para se cultivar uma vida de santidade teriam que viver isolados do mundo, em um sistema de ascetismo. Basicamente, os essênios se dedicavam ao estudo das Escrituras, a oração e as lavagens cerimoniais, conhecidas como banhos Mikvah. Dividiam seus bens com a comunidade e eram conhecidos por seu trabalho e vida piedosa. Existe, ainda, a teoria da existência de dois grupos distintos de essênios, que é apresentada na Enciclopedia de la Biblia, que apresenta o grupo essênio de Qumran e outro, talvez, no Egito [21]. Nos achados do Mar Morto, os manuscritos de Qumran, encontram-se evidências de que os essênios se isolaram por desejarem abandonar as influências corruptas das cidades judaicas.  Eles se dedicaram a preparar o “caminho do Senhor”, crendo que o Messias viria, e consideravam-se o verdadeiro Israel. Segundo Josefo, os essênios, além de enviar suas oferendas ao templo, realizavam seus sacrifícios de forma diferente do restante dos judeus e acentuavam a importância da purificação [22].
Por causa dessa diferenciação ritualística, os judeus os proibiram de sacrificar no templo, que os mesmos essênios afirmavam estar contaminado pela impureza da religiosidade social e judaica.
O historiador Plínio [23], o velho, apresenta algumas características desse grupo: Na parte ocidental do mar Morto os essênios se afastam das margens por toda a extensão em que estas são perigosas. Trata-se de um povo único em seu gênero e admirável no mundo inteiro, mais que qualquer outro: sem nenhuma mulher e tendo renunciado inteiramente ao amor; sem dinheiro e tendo por única companhia as palmeiras. Dia após dia esse povo renasce em igual número, graças à grande quantidade dos que chegam; com efeito, afluem aqui em grande número aqueles que a vida leva, cansados das oscilações da sorte, a adotar seus costumes (…) Abaixo desses ficava a cidade de Engaddi, cuja importância só era inferior à de Jericó por sua fertilidade e seus palmeirais, mas que se tornou hoje um montão de ruínas. Depois vem a fortaleza de Massada, situada num rochedo, não muito distante do mar Morto. [24] Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, aprendemos que para haver uma vida de santidade e dedicação não é necessário o isolamento. A luz deve brilhar em meio as trevas e o sal deve temperar onde não há tempero.
5. Os Herodianos
Era um grupo de judeus que acreditava na cooperação com Herodes, para haver o favorecimento dos judeus, muito embora Herodes considerasse a si mesmo um deus vivo, tentando helenizar Israel, exercendo forte pressão política sobre a nação judaica e buscando corromper os costumes judaicos. Historiadores como Jerônimo, Tertuliano, Epifânio, Crisóstomo e Teófilo revelam que os herodianos criam ser Herodes o Messias, surgindo em defesa de Herodes para adquirir algum tipo de benefício. Tognini [25] declara que “os herodianos eram um partido mais político que religioso. Eram um com os saduceus em religião, divergindo apenas em um ou outro ponto político”. E Hale [26] apresenta os herodianos como um grupo independente e oriundo de uma ala esquerdista dos saduceus.
As informações acerca dos herodianos são poucas, porém, Saulnier e Rolland afirmam que os herodianos possuíam privilégios e regalias concedidas pelo governo de Herodes [27]. Porém, parece que a finalidade política dos herodianos era se fortalecer o suficiente para depois se desligar do poder e dependência romana, pois havia ainda um sentimento de nacionalismo que se opunha a um poder estrangeiro, como afirma Douglas [28].
Esse grupo se colocava à disposição do governo romano, trabalhando como espiões que observavam continuamente possíveis situações que poderiam trazer problemas ao governo, como rebeliões políticas, insurreições ou movimentos messiânicos, a exemplo de Jesus e seus discípulos, como declaram Saulnier e Rolland [29]. Ao passo que os zelotes eram fervorosos defensores de uma rebelião, os herodianos se tornam então seus opositores.
Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, perceberemos que existem, em todos os períodos de tempo, aqueles que sempre estarão dispostos a sacrificar as convicções em troca do recebimento de benefícios pessoais. Por isso, esse grupo é caracterizado por aqueles que buscam seus próprios interesses em detrimento do próximo, e o completo desapego das verdadeiras convicções e princípios, a começar pelos princípios éticos e Escriturísticos. Para estes, o que mais importa é estar ao lado daquele que lhes proporciona benefícios, pois assim poderão experimentar os resultados trazidos pela influência e status do poder.
6. Os Zelotes
Os zelotes são um grupo que se destaca como sendo o mais radical dentro do judaísmo. Foram os principais responsáveis por produzirem os levantes contra Roma, provocando a Guerra judia (66-70 d.C.), culminando na destruição de Jerusalém e do Templo. Os zelotes tornaram-se sinônimos de ‘fervorosos’, e foram os que uniram o fervor religioso com o compromisso social, assim como os sicários [30]. Este grupo rebelde idealizava a vinda do Messias mediante uma ação revolucionária, que resultaria em sua libertação das mãos opressoras de Roma e do helenismo. De acordo com Horsley e Hanson o zelo por Deus e pela Lei de Deus não pode ser utilizado como características para se denominar um grupo, pois de certa forma todos os grupos judeus possuíam essa característica [31]. No entanto, o que caracteriza os zelotes não é apenas esse zelo, tão somente, mas a manifestação desse zelo através do desejo de revolução e luta como meio de libertação. Isso é o que o faz diferente de outros grupos.
Conclusão
O Israel do 1º século possuía uma gama de facções e grupos étnico-filosófico-político-religiosos que promoviam uma nação fragmentada. Muito embora alguns desses grupos visassem a libertação do domínio de Roma, outros estavam imbuídos do desejo de reconhecer o governo de Roma e a Herodes como o messias.
Se por um lado a resistência judaica visava a preservação de sua religião e cultura contra a tentativa de helenização e paganização de seu povo, por outro lado essa resistência se formava em frentes que tinham interesses particulares e que se uniam apenas em ocasiões muito especiais em prol de um objetivo comum, como no caso da perseguição contra Jesus e Sua crucificação. Ainda, como no caso da união e geração da Primeira Guerra Judaico-Romana, que termina quando as tropas do general Tito sitiam e destroem a resistência judaica em Jerusalém, resultando em um domínio romano mais acirrado. Outros elementos foram de fundamental importância para o judaísmo do primeiro século, e que tiveram o seu início desde o exílio babilônico, como a sinagoga e o rabinado. Enquanto a sinagoga tinha a função de acomodar judeus que se reuniam para orar, cantar e discutir a Torah proporcionando assim o ensino teológico, garantindo a sobrevivência do judaísmo (Ne 8), a figura do rabi tinha a responsabilidade de viabilizar para o povo judeu essa transmissão realizada na sinagoga. Packer, Tenney e White Jr. afirmam que “essas mudanças garantiram a sobrevivência do judaísmo, mas também ajudaram a criar novas facções” [32]. O que vemos, então, é um quadro histórico pintado com grupos judeus divididos por pensamentos e ideologias distintas, no exato momento em que surge Jesus Cristo. Porém, para os fariseus é apresentada a mensagem de reprovação quanto a sua hipocrisia. Para os saduceus é apresentada a mensagem de que o amor ao mundo é inimizade contra Deus. Para os samaritanos é apresentada a mensagem de que ninguém podia servir a dois senhores. Para os essênios é apresentada a mensagem de que a luz deve brilhar em meio as trevas. Para os herodianos é apresentada a mensagem de que aquele que amar a sua vida esse perdê-la-á. Para os zelotes é apresentada a mensagem de que aquele que vive pela espada morre por ela. Posteriormente surge outro grupo. Um grupo formado pela união de judeus e gentios. Povos de todas as raças, tribos, línguas e nações. Povos que foram redimidos pelo Messias e se tornaram seus seguidores em todas as partes do globo, através dos séculos. Esse grupo perdura até os dias de hoje, e o seu fundador, Jesus Cristo, disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18).
NOTAS

[1] Flávio Josefo. Conhecido como Josefo, viveu por volta do ano 100 d.C. Apesar de judeu, tornou-se cidadão romano e foi um importante historiador do 1º século. Suas obras apresentam um importante quadro do judaísmo do século I.
[2] LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
[3] JOSEFO, Flávio. Bellum Iudaicum II, VIII, 119.
[4] KIPPENBERG, Hans. Religião e Formação de Classes na Antiga Judéia. São Paulo: Paulus, 1988, p.121.
[5] Idem. p.121
[6] BUCKLAND, A. R. Dicionário Bíblico Universal. São Paulo: Vida, 1981.
[7] Guerra dos Judeus (75 d.C.), Antiguidades Judaicas (94 d.C.), e Autobiografia (101 d.C.)
[8] É importante salientar que o termo ‘Palestina’ só foi cunhado por volta do ano 70 d.C. com a invasão do império romano que destruiu o templo e realizou um genocídio, na tentativa de apagar da história a memória da nação de Israel. Portanto, o termo correto aqui é Israel, e não Palestina, que se refere a uma nação que não existe, uma língua que não existe e uma cultura que não existe, mas que é fruto da tentativa do mundo árabe-islâmico de fundar o seu próprio Estado em detrimento da nação de Israel.
[9] TOGNINI, Enéas. O período Interbíblico. São Paulo: Hagnos, 2009, p.153
[10] João Hircano foi um sumo sacerdote que governou a Judéia entre 135 e 104 a.C.
[11] Josefo. Antiguidades XIII. 10.5-7.
[12] Idem, p.155
[13] A Lectio Divina consiste de: 1) Lectio – Leitura; 2) Meditatio – Meditação; 3) Oratio – Oração; 4) Contemplatio – Contemplação. Traduzindo ao pé da letra, Lectio Divina é: “Leitura Divina”. Mas também é conhecida como “Leitura Orante”. Era uma prática dos cristãos antigos, quando dedicavam um tempo exclusivo para meditar no texto da Escritura Sagrada, acompanhado de oração, meditação e oração, sempre contemplando de forma prática a mensagem do texto.
[14] Hipermodernidade é o termo criado pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky para delimitar o momento atual da sociedade humana.
[15] SCHUBERT, Kurt. Os Partidos Religiosos Hebraicos da época Neotestamentária. São Paulo: Paulinas, 1979, p.15,16
[16] O humanismo é uma filosofia moral que apresenta o ser humano como a medida de todas as coisas. Isto é, o homem é o centro de tudo. Portanto, a ideia é contrapor-se a qualquer ser ou coisa de cunho sobrenatural. Surgindo por volta do século XIX é uma das heranças do Iluminismo do século XVIII, e é um dos pressupostos do ateísmo.
[17] FERREIRA, Franklin. Apostila de Hermenêutica. Rio de Janeiro: STBSB, 1999, p.12,13.
[18] Joachim Jeremias foi um teólogo Luterano alemão e professor de Novo Testamento e faleceu em 1979.
[19] Eclesiástico 50:27,28
[20] RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994, p.1659.
[21] Enciclopedia de la Biblia, v.3, p.143-150.
[22] Antiguidades Judaicas. XVIII, 19.
[23] Gaius Plinius Secundus foi um historiador romano que escreveu Naturalis Historia, um vasto compêndio das ciências antigas composto por 37 volumes e dedicado a Tito Flávio, que viria a ser imperador de Roma.
[24] PLÍNIO, O Velho. Naturalis Historia. v. 73.
[25] Idem, p.167.
[26] HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001, p.20.
[27] SAULNIER, Christiane & ROLLAND, Bernard. A Palestina nos tempos de Jesus. 7 ed. São Paulo: Paulinas, 1983, p.83.
[28] DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995, p.712.
[29] Idem, p. 83.
[30] Uma explicação sobre os sicários é realizada na Introdução deste artigo.
[31] HORSLEY, Richard A. & HANSON, John S. Bandidos, profetas e messias: movimentos populares no tempo de Jesus. São Paulo: Paulus, 1995, p.166.
[32] PACKER, J. I.; TENNEY, Merril C.; WHITE, William. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Vida, 1991, p.82.
FONTE:http://www.napec.org/religioes/os-grupos-judaicos-na-epoca-de-cristo/ 
 VIA: https://www.facebook.com/portalteologia/?fref=nf

 Portal Teologia & Missões.   



Continue Lendo...

domingo, 5 de março de 2017

LIVRO ATOS DOS APÓSTOLOS: "UMA VISTA PANORÂMICA".





O livro Atos dos Apóstolos tem sido frequentemente dividido de duas formas, com base no interesse de Lucas em:
- PEDRO - caps. 1 a 12
e em
PAULO caps. 13 a 28
ou
- Expansão geográfica do Evangelho:
Jerusalém (caps 1 a 7); Samaria e Judéia ( 8 a 10); até os confins da terra (caps (11 a 28)
Embora estes dois grupos de divisões sejam reconhecíveis em termos do conteúdo propriamente dito, há outro indício, dado pelo próprio Lucas, que parece vincular tudo de uma forma bem melhor.
Se lermos o livro notando as breves declarações de resumo em 6.7; 9.31; 12.24; 16.4; 19.20; concluiremos que em cada caso, a narrativa parece fazer uma pausa por um momento antes de tomar algum tipo de direção nova. Por este ângulo, Atos, pode ser visto como sendo composto de seis seções, ou painéis, que dão à narrativa um movimento para a frente, a partir do seu âmbito judaico baseado em Jerusalém, tendo Pedro como sua personagem de liderança, em direção a uma igreja predominantemente "gentia", tendo Paulo como sua personagem de liderança, e com Roma, a capital do mundo gentio, como alvo. Uma vez que Paulo chega a Roma, onde mais uma vez se volta para os gentios, porque eles escutarão (28.28), a narrativa chega ao fim.
Abaixo estão enumerados os seis painéis. Leia-os procurando descrevê-los, tanto no seu conteúdo quanto na sua contribuição ao movimento para frente.
1º painel: [1.1 a 6.7]; 2º painel: [6.8 a 9.31]; 3º painel: [9.32 a 12.24]; 4º painel: [12.25 a 16.5]; 5º painel: [16.6 a 19.20]; 6º painel: [19.21 a 28.30].

a - 1.1 a 6.7: A descrição da igreja primitiva em Jerusalém, sua pregação primitiva, sua vida em comum, sua propagação e a oposição inicial a ela.
Note quão "judaico" é tudo, inclusive os sermões, a oposição, e o fato de que os crentes primitivos continuam suas associações com o templo e as sinagogas.
O painel termina com uma narrativa indicando que uma divisão começara entre os crentes de idioma grego e os de idioma aramaico.
b - 6.8 a 9.31. A descrição da primeira expansão geográfica, levada a efeito pelos helenistas (cristãos judaicos de idioma grego) para os judeus da diáspora ou os "quase judeus" (samaritanos e um prosélito). Lucas também inclui a conversão de Paulo, que era: um helenista, um opositor judaico, e aquele que estava por liderar a expansão especificamente gentia.
O martírio de Estevão é a chave a esta expansão inicial.
c - 9.32 - 12.24. A descrição da primeira expansão aos gentios. A chave é a conversão de Cornélio, cuja história é contada duas vezes. A relevância de Cornélio é que sua conversão foi um ato direto da parte de Deus, que não usou os helenistas nesta ocasião, que teriam sido suspeitos, mas, sim, Pedro, o líder reconhecido da missão judaico-cristã. Incluída também está a história da igreja em Antioquia, onde a conversão dos gentios agora é levada a efeito pelos helenistas de modo resoluto.
d - 12.25 a 16.5: A descrição da primeira expansão geográfica para dentro do mundo gentio, com Paulo na liderança. Os judeus agora rejeitam de modo regular o Evangelho porque inclui os gentios.
A igreja se reúne em concílio e não rejeita seus irmãos e irmãs gentios, nem impõe sobre eles exigências judaicas.
Este último fato serve como a chave para a plena expansão no mundo gentio.
e - 16.6 a 19.20: A descrição da expansão adicional, sempre em direção ao ocidente, no mundo gentio, agora entrando na Europa. Repetidas vezes, os judeus rejeitam o Evangelho, e os gentios lhe dão as boas-vindas.
f - 19.21 a 28.30: A descrição dos eventos que levam Paulo e o Evangelho para Roma, com muito interesse nos julgamentos de Paulo, no decurso dos quais, três vezes foi declarado inocente de qualquer culpa.
..........................................................................................................
OBS: Procure ler o livro dos Atos dos Apóstolos com este esboço, este senso de "movimento" diante de si, para ver por si mesmo se ele parece captar aquilo que está acontecendo.
À medida que a pessoa lê, notará que nesta descrição do conteúdo um fator crucial foi omitido, - aliás, O FATOR CRUCIAL - a saber, ou seja, o papel do Espírito Santo em tudo isto.
Você notará enquanto lê que a cada "conjuntura chave", em cada "pessoa chave", o Espírito Santo desempenha o papel de liderança total. De acordo com Lucas, a totalidade deste movimento para frente não aconteceu pelo desígnio do homem, aconteceu porque foi da vontade de Deus e porque o Espírito Santo o realizou.

Fabio Silveira DE Faria
Fonte: Livro: Entendes o Que Lês? Editora Vida Nova
Autores: Gordon D. Fee & Douglas Stuart.















Continue Lendo...

terça-feira, 11 de outubro de 2016

DIALOGANDO COM A BÍBLIA EM EFÉSIOS 1.1 a 14!

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo! Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, assim como também nos elegeu nele, antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele, e em amor nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo, e em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. [Efésios 1:1-14]
1ª Pergunta: De que maneira as bênçãos espirituais influem na vida na terra?
R- Apesar de termos a tendência de pensar em "bênçãos" sob o aspecto de dinheiro, posses e oportunidades, Paulo as usa em referência ao relacionamento e à posição especial que Cristo oferece: salvação, perdão e esperança da vida eterna.
2ª Pergunta: Como somos adotados na família de Deus?
R- No mundo romano em que Paulo vivia, a escravidão era comum. Alguns escravos eram adotados pela família que os comprara e recebiam todos os privilégios dos filhos. Do mesmo modo, os cristãos, antes escravos do pecado e da morte, são comprados por meio da morte de Cristo e adotados como filhos de Deus.
3ª Pergunta: Por que o sangue é necessário para que sejamos salvos?
R- Como o pecado era uma afronta irreversível à santidade de Deus, a única alternativa para o praticante era a punição com a morte. O sangue representava a vida, e quando ele era derramado, significava que uma vida havia sido entregue. No AT a morte, a morte de animais satisfez esse padrão de justiça, e no NT, o sangue de Jesus cumpriu por completo a exigência do pecado, e satisfez totalmente a justiça de Deus. Assim fomos plenamente justificados e o pecado perdoado.
Pergunta: Se Deus nos escolhe, resta-nos alguma escolha?
R - A princípio estamos mortos espiritualmente, e somos incapazes de atender ao Senhor. Só Deus pode dar-nos o dom da vida, já que o pecado ao entrar na raça humana deixou todos incapacitados, ou seja, não podemos ir a Deus sem a sua misericórdia. Não é a consciência de que sermos pecadores que primeiro nos faz voltar para Deus. Antes, é Deus quem na sua misericórdia desperta essa consciência em nós. Alguns acreditam que nossa salvação por meio de Cristo é inteiramente limitada à escolha soberana de Deus. Para estes, somente irão crer em Cristo, aqueles que Deus destinou à salvação antes do início do tempo, (assim como também nos elegeu nele, antes da fundação do mundo...) e acentuam que não há quem busque a Deus, mas que Ele em sua misericórdia escolheu salvar alguns. Afirmam: "ir a Deus não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia". Na outra vertente estão os defensores de que Deus concede a cada pessoa a capacidade de escolher, ou seja, a sua graça e misericórdia estende-se a todos, mas se salvarão apenas os decididos a se arrepender e voltar-se para Jesus. São de opinião que Deus honra as escolhas das pessoas, seja aceitar o convite de Cristo, seja recusar.
5ª Pergunta: Deus estabeleceu um prazo?
R - Sim, mas ainda nos é desconhecido. Deus planeja um dia por todo o universo sob o governo e a autoridade de Jesus Cristo. Antes da chegada desse dia, o programa divino de salvação é uma série de tempos ou períodos que se manifestam gradualmente. Agora vivemos em uma época em que ainda existe a oportunidade de aceitar a Cristo, mas esse tempo presente terá fim e culminará com o governo total e completo de Jesus Cristo sobre tudo o que há nos céus e na terra.
Pergunta: como o céu e terra poderão convergir?
R - No mundo romano, quando se somava uma coluna de números, o total era registrado no alto e não embaixo da coluna como é feito hoje. Paulo utiliza essa ideia como figura, ou seja, no final da historia todas as realidades espirituais e físicas serão postas sob a autoridade de Cristo e Ele reinará como governante incontestável do universo.
Pergunta: Como as pessoas são seladas?
R - No mundo antigo, o selo era usado como o principal autenticador de um documento. No transporte de mercadorias, o selo identificava o seu proprietário, as protegendo de roubo. No governo, o selo era usado como o emblema oficial dos representantes do estado. Paulo usa a palavra selados como metáfora da obra sobrenatural do Espírito Santo na vida do cristão. É o sinal de propriedade, o sinal de ser espiritualmente genuíno, protegido e autenticado como membro da família régia de Deus.

Fabio S. Faria
Comentários de rodapé da BÍBLIA DE ESTUDO VIDA - Editora Vida 1999.




Continue Lendo...

sábado, 24 de setembro de 2016

UMA CAMINHADA POR APOCALIPSE.



1.1-8: PRÓLOGO
Neste breve texto introdutório nos é apresentado os pormenores essenciais, ou seja, João recebeu uma ”revelação”  [apocalypsis, no grego]. De Cristo sobre o que está prestes a acontecer, que ele chama de “as palavras desta profecia”, oferecendo uma bênção àquele que a lê em voz alta e aos ouvintes nas comunidades cristãs (1.1-3). Então, ele apresenta sua revelação na forma de uma às sete igrejas, com as devidas saudações e uma doxologia – a Cristo!
1.9 a 3.22: AMBIENTE HISTÓRICO
No texto em questão somos apresentados aos três principais personagens do drama: João, Cristo, a Igreja. João se situa a si mesmo, em seu exílio, como companheiro de sofrimento dos destinatários da carta, e lhes dá os detalhes de como recebeu a revelação (1.9-11); ele estará presente como o “eu” que vê e ouve tudo o que se segue. Em seguida ( 1.12-16) passa a descrever Cristo como o Senhor da igreja usando uma colagem de ecos de Dn 7.13; 10.5,6; Ez 43.2. Em (1.17-20) o descreve como o Senhor da história, e quando fala do Senhor ressurreto se apropria das palavras que descrevem Deus em Is 48.12.
Finalmente, nos capítulos 2 e 3, Cristo se dirige às sete igrejas revelando seu conhecimento da presente situação delas, em geral exortando-as de alguma maneira, enquanto roga aos que têm ouvidos que ouçam o que é dito, e prometendo recompensas escatológicas para aqueles que saírem vitoriosos do conflito vindouro. A situação das respectivas igrejas varia bastante – há algumas qualidades bem como algumas deficiências-. Tudo é dito à luz da “provação que virá sobre o mundo todo” (3.10).

a- VISÕES INTRODUTÓRIAS: A CENA NO CÉU E NA TERRA [4.1 A 8.5]

4.1 a 5.14: UMA VISÃO DO TRONO CELESTIAL
Antes das condições terríveis na terra serem reveladas, a majestade incomparável e eterna do Deus criador é revelada a João (cap 4). Em resposta a isso vem a visão do Leão de Deus, o Cordeiro que foi morto, e que por meio de sua morte triunfou sobre o dragão na guerra santa (ver cap 12), e que, por causa de sua obra redentora, é adorado juntamente com Deus e considerado digno de desvelar os juízos justos de Deus (cap 5).
As visões contidas neste texto devem ser lidas com muita atenção, pois todo o conteúdo do livro a partir deste ponto deve ser lido à luz delas. 
[Para melhor entendimento é aconselhável a leitura de Ezequiel 1 e Isaías 6.1-3 para ter uma noção dos antecedentes do Antigo Testamento por trás de muito do que é dito em Apocalipse 4. No mesmo sentido deve também ser lidos Gênesis 49.8-12 e Isaías 11.1-11 para o entendimento de Apocalipse 5].
O que João está oferecendo é a perspectiva do céu (onde há louvor e adoração constantes a Deus e ao Cordeiro), a partir do qual os leitores devem enxergar a horrível situação da terra. Isso fica claro pela inclusão da abertura dos sete selos (6.1 - 8.5) na estrutura dessa visão, como os versos 6.1,3,5,7 deixam claro.
6.1 a 8.5: A ABERTURA DOS SETE SELOS.
Mesmo sendo parte da visão anterior, o relato dos sete selos também inicia uma série de três visões - selos, trombetas, taças - todas possuindo a mesma estrutura: "uma série de quatro, uma série de dois, um intervalo com duas visões, e um sétimo elemento.
Na primeira visão, os quatro cavaleiros (adaptados de Zc 1.6) representam a conquista, a guerra, a fome e a morte (= o império que se opõe ao povo de Deus). A série de dois (o quinto e o sexto elementos) também prepara o terreno para o que vem em seguida fazendo duas perguntas fundamentais:
1 - os mártires clamam "até quando"?. E são informados de que a situação irá piorar ainda mais antes do início da melhora [Ap 6.10,11].
2 - Aqueles que recebem o julgamento de Deus também clamam (ecoando Ml 3.2): "Quem poderá subsistir no dia da ira do Senhor"? [Ap 6.17). 
Assim, João recebe um prelúdio geral dos juízos que se seguem.
A resposta imediata a essa última pergunta são aqueles que são "selados" poer Deus (Ap 7.1-8) e as multidões que vieram da grande tribulação - os redimidos do Senhor (Ap 7.9-11).
Enquanto se faz a leitura é fácil observar que a descrição do povo de Deus em 7.1-8 ecoa o acampamento de Israel na formação de batalha em Números 2, e desta maneira preanunciando seu próprio na guerra santa. Isso, por sua vez, leva à próxima descrição do descanso final  deles na presença de deus, que ecoa Isaías 25.8 e 48.10-13. 
A abertura do sétimo selo indica o início da passagem dos sete anjos (Ap 8.1-5). O silêncio visa um efeito. Observe que os juízos prestes a ser revelados ocorrem em resposta direta às orações dos santos.

b- JUÍZOS PRELIMINARES - TEMPORAIS - CONTRA O IMPÉRIO: [8.6 - 11.19.]

A primeira série de desgraças anuncia juízos temporais e parciais ao mesmo tempo que prenuncia o juízo final (caps 16;18). Isso fica claro pelo fato de que as primeiras quatro são adaptações evidentes das pragas do Egito, que foram juízos temporais, não finais, contra o Egito, e pelo tema repetido do "um terço".
8.6 - 9.21: OS JUÍZOS DAS SETE TROMBETAS
 Observe como esta série de quatro (8.6-13) continua a descrição da ira de Deus do sexto selo, mas agora como trombetas (JUÍZOS DE ADVERTÊNCIA).
Observe como João adapta as três das pragas contra o Egito para se adequar a Roma, que deriva seu poder e riqueza do mar: Granizo (nº 7= Êxodo 9.13-35).
Rio transformado em sangue,  dividido em duas partes - mar e água doce -  (nº 1= Êxodo 7.14-24). Escuridão (nº 9= Êxodo 10.21-29)
A série de duas desgraças (a terceira não é revelada até Ap 18) descreve os juízos em termos mais históricos, aproveitando-se do temor romano às hordas bárbaras (9.1-12 = homens de cabelos compridos), mas descrito em linguagem que remete à praga de gafanhotos de Joel (Jl 1.6; 2.1-5). Isso é representado, em segundo lugar, como uma batalha grande e decisiva (Ap 9.13-19). Mas embora os juízos sejam de natureza temporal e parcial, eles não conduzem ao arrependimento (9.20,21). 
10.1 - 11.19: AS DUAS VISÕES INTERMEDIÁRIAS.
           Essas duas visões nos levam de volta a João e à igreja.
A primeira confirma João em sua tarefa profética (observe especialmente os ecos de Ez 2.9 - 3.3 em Ap 10.9-11), mas observe que ela começa com um anjo poderoso com um pé sobre a terra e o outro sobre o mar, demarcando-os como pertencentes a Deus, não a Satanás e suas bestas (cf 13.1,11).
A segunda visão aponta para o papel profético da igreja, que é cumprir como se esperava, o testemunho do fim dos tempos de Elias e Moisés (cf.11.6), mesmo que isso signifique martírios (versos 7 a 10). Mas em vez da terceira desgraça (prenunciada em 8.13; 9.12; 11.14), a sétima trombeta introduz uma descrição antecipada do próprio fim - mas como já presente: "uma canção de triunfo celebra a consumação do reino de Deus (11.15-19; observe que "aquele que era, que é e que há de vir" [4.8 é agora "aquele que és e que eras" [11.17]; ou seja, aquilo "que há de vir" é descrito como já tendo vindo).

c - O CONFLITO ENTRE A IGREJA E OS PODERES MALIGNOS [12.1 - 14.20]

Esses três capítulos - 12,13,14 - formam o centro absoluto do livro, não apenas literalmente, no esquema geral da narrativa, mas também como a perspectiva teológica (cap 12) e as razões históricas (cap 13) para todo o conteúdo de Apocalipse. 
O capítulo 14, então, prepara o terreno para o restante do livro. 
12.1-17: A GUERRA NO CÉU E SUAS CONSEQUÊNCIAS.
 Observe como as duas visões do capítulo 12 dão a chave teológica do livro. Em sua vinda e ascensão (12.5, a história toda é relembrada retratando-se o início e o fim), Cristo derrotou o dragão (descrito como guerra no céu nos vs 7-11), que agora parte para descarregar sua destruição sobre o povo de Cristo.
Assim, a "salvação" já veio. Satanás já foi humilhado; portanto, "alegrai-vos, ó céus". Mas ainda não é o fim; portanto, "ai da terra". Sabendo que seu tempo é limitado, Satanás irá perseguir o povo do Messias (apontando-se assim para o cap 13), mas será vencido pelos por meio da morte de Cristo e do próprio testemunho que eles dão dela, mesmo que esse testemunho lhes custe a vida.
13. 1-18: AS BESTAS SAINDO DO MAR E DA TERRA.
                    Essa visão apresenta o contexto histórico para o sofrimento deles - profetizando de que maneira Satanás os perseguirá (restrições econômicas e martírio)-, que ocorrerá pela recusa deles em adorar o imperador. 
                  A besta do mar é uma adaptação da quarta besta do mar de Daniel 
(Dn 7.2,7,8,23-25). O que está sendo descrito é Roma, em todo o seu poder aparentemente invencível (observe como em Ap 13.4, o povo parodia o hino do Guerreiro Divino de Ex 15.11), em guerra contra o povo de Deus (Ap 13.7) -- o que conduzirá a muitos martírios (verso 10, ecoando Jr 15.2).
OBSERVAÇÃO: a "ferida mortal" que foi curada (Ap 13.3,12) alude ao ano de 69 d.C, no qual todos esperavam que Roma desmoronasse, tendo sido brevemente governada por três imperadores, um atrás do outro, após a morte de Nero. Mas, o império não ruiu, e isso fazia com que ele parecesse invencível.
A besta da terra representa o sacerdócio do culto ao imperador que florescia na província da Ásia. Observe como aqueles que não carregam o nome da primeira besta (666 é um jogo com o nome de Nero) são isolados economicamente.
14.1-20: RESULTADO DA GUERRA SANTA: VINDICAÇÃO E JULGAMENTO.
           Essa série de visões prepara o terreno para as visões finais, descrevendo primeiro os mártires redimidos como os primeiros frutos que se encontram no monte Sião escatológico (versos 1-5), e então a queda de Roma na linguagem dos juízos proféticos do Antigo Testamento, especialmente aqueles contra a Babilônia (tema que continuará até o final). 
A coleção de breves vinhetas (versos 6-13) desse modo prepara o terreno para o restante do livro, assim como as visões gêmeas de ceifar a terra e pisar o lagar (versos 14-20), que apontam para a futura colheita do povo de Deus e o julgamento de Roma.

d - AS SETE TAÇAS: OS JUÍZOS DE DEUS CONTRA A "BABILÔNIA" [15.1 - 16.21]

                 Essa terceira e última série de juízos distingue especificamente os juízos de Deus contra Roma.
15.1-8: O PRELÚDIO
      Observe como esse prelúdio aos juízos começa com João novamente no céu (cf. caps. 4-6), enquanto os mártires entoam o cântico de Moisés e do Cordeiro, uma primorosa colagem de passagens de todo o Antigo Testamento. Observe também como a série (vers. 5-8) dá continuidade à imagem de 11.19.
16.1-21: A BABILÔNIA É JULGADA
      Observe como essas desgraças ecoam as trombetas, mas sem o qualificador de "um terço". Como nas quatro primeiras trombetas, as primeiras taças são adaptações das pragas do Egito; observe que a terceira (água em sangue) recebe uma resposta imediata em termos da "lex talionis" - olho por olho. Aqui a série de dois continua esse tema. 
O interlúdio nesse caso (v.15,16) é impressionantemente breve e enigmático (um chamado à prontidão e uma referência ao Armagedom), enquanto a última taça de ira repete o terremoto do sexto selo, ao mesmo tempo dá continuidade ao tema da praga (granizo).

e - DESFECHO: O CONTO (ORIGINAL) DAS DUAS CIDADES [17.1 - 19.10)
                          Usando as imagens intensamente evocativas das duas cidades como mulheres que contrastam entre si - Roma como uma meretriz opulenta; a igreja como a noiva de Cristo -, João agora situa o julgamento de Roma contra o pano de fundo dos juízos e da salvação finais de Deus. Observe especialmente que as passagens referentes à cada uma dessas mulheres nos são apresentadas com início (17.3;21.9,10) e fim (19.9,10;22.7-9) semelhantes, e enquanto uma mulher (a queda de Roma) é vista no 'deserto' (17.3), a outra (nova Jerusalém) é vista em um 'monte grande e alto' (21.20). 
17.1 - 19.10: DEUS JULGA A MERETRIZ PELA OPRESSÃO ECONÔMICA
         Observe como essa descrição inicial de Roma como uma grande prostituta montada na besta (capítulo 17) ecoa várias descrições semelhantes de Tiro e da Babilônia nos profetas (Is 23.15-18;Jr 51.6,7). Também é interessante observar que as interpretações de Apocalipse 17.9 e 18, deixam claro quem é realmente a Babilônia. 
João então passa a entoar uma canção fúnebre a respeito dela (18.1-3) seguida de um chamado ao povo de Deus a escapar da "Babilônia" (18.4-8; cf Is 48.20; 52.11; Jr 51.45; etc), e do luto resultante daqueles que participaram nos seus pecados (os "reis da terra" [governadores provinciais], os comerciantes, a frota mercante; Ap 18.9-24). E finalmente vemos o terceiro "AI" (v.8.12;11.14), que por sua vez assume a forma de três "AIS" (18.10,16,19). Eis a única passagem em que João, em geral, abandona o modo apocalíptico para adotar um estilo profético, especialmente no intuito de denunciar a política econômica de Roma, que enriqueceu enormemente à custa dos pobres. Observe como o júbilo no céu é a reação imediata à condenação de Roma (verso 20; cf.12.12a) com ecos de Isaías 25.10, e conclui apresentando mais uma vez a razão máxima para a sua
condenação: "a matança dos mártires" (Ap 18.24).
Observe como o triplo 'ai' é respondido com um triplo 'aleluia' no céu (19.1,3,6). E, assim, João volta à cena no céu (do cap. 4) onde vemos as bodas do Cordeiro e sua noiva, a igreja (19.1-10)
19.11 - 20.15: A ÚLTIMA BATALHA.
        O intervalo entre o "destino" das duas cidades conclui o tema da guerra santa, tanto em Apocalipse quanto na Bíblia como um todo. A descrição do tema forma o pano de fundo final (escatológico) contra o qual o juízo sobre Roma deve ser compreendido. 
        Cristo é desse modo, retratado como um Guerreiro Divino que luta contra a besta, o profeta e o próprio Satanás (19.11-20.15). Observe principalmente como os membros dessa "trindade profana" são lançados, um por um, no lago de fogo (19.20;20.10).  
       Observe como João vislumbra uma separação entre a destruição final das duas bestas e a de Satanás (20.7-10). Isso sugere, junto com a cena nos versos 1-6, que Satanás ainda tem algum tempo depois da destruição de Roma. O evento final é o julgamento daqueles que o seguiram (versos 11-15).
21.1 - 22.11: A NOVA JERUSALÉM: "A NOIVA DO CORDEIRO".
     Estruturalmente, 21.1-8 pertence à "última batalha". Veja como a passagem antevê a cidade de Deus (descrita na visão que começa nos versos 9,10), mas também conclui (v.8) com uma observação sobre aqueles que foram julgados na "segunda morte". Observe especialmente como ela começa com a linguagem de Isaías 65.17-19, com seus "novos céus e nova terra".
         Assim, a visão final de João descreve a cidade de Deus, a nova Jerusalém, descendo à terra, onde ocorrem a restauração do Éden e a reversão dos efeitos da Queda (Ap 21.2-22.6). 
Observe duas coisas: 
                      1- a cidade ecoa a linguagem e as ideias da visão de Ezequiel do "templo escatológico", na qual a glória de Iahweh retorna ao templo (Ez 40.1-43.12). 
                      2- a própria cidade é o templo precisamente porque é o lugar da própria habitação de Deus (Ap 21.3,4,11,22,23; 23.3-5).
Finalmente observe, o quanto 22.1-5 ecoa o Éden restaurado, usando inclusive imagens de Ezequiel 47.1-12.
22.12-21: EPÍLOGO.
                          Essa passagem pode ser considerada um verdadeiro epílogo no sentido de que ecoa numerosos temas do prólogo, pois, assim, como uma conclusão apropriada dessa visão que assumiu a forma de carta, João tanto exorta como convida os leitores originais - e nós - a participar do grande futuro de Deus por meio da vinda de Cristo.

                                      UM BOM ESTUDO A TODOS!
  
Bibliografia: "COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO. EDITORA VIDA NOVA.
AUTORES: GORDON FEE E DOUGLAS STUART.

LEIA TAMBÉM "SUGESTÕES INTERPRETATIVAS" DO LIVRO DO APOCALIPSE CONFORME OS LINKS ABAIXO:

1 - http://cristaodebereia.blogspot.com.br/…/apocalipse-sugesto…
2 - http://cristaodebereia.blogspot.com.br/…/apocalipse-sugesto…
3 - http://cristaodebereia.blogspot.com.br/…/apocalipse-sugesto…
4 - http://cristaodebereia.blogspot.com.br/…/apocalipse-sugesto…
5 - http://cristaodebereia.blogspot.com.br/…/apocalipse-sugesto…










Continue Lendo...
Blogger Template by Clairvo